Desinteressadamente interessada. Não deu tempo de processar, tampouco fazer
raiva. Tô bem curiosa. Não é curiosidade. Ce já mostrou bem o que ce sabe.
Como ce sabia como? Como ce sabia tanto?
Paraíso astral. Signo que mete medo. Se for sempre assim, corro o risco. Falar em risco estando distante é um alívio. Só recordo
à noite, umas duas vezes, talvez três, por semana. Já é o segundo texto...
Intensa, menina, intensa. Primeiro e último ou primeiro de muitos? Curtindo não ligar. Curtindo não saber. Curtindo não retornar e nem ter futuro.
Mas observo. Uma hora vou te chamar. Por agora, estou curtindo esta
curiosidade desatenta, seduzente. Não fique ansioso, tenho
sol e ascendente em queimaduras, sou famosa por isso.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023
Desatenta
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023
Surpresa
Adormeci ouvindo a música que você postou. Na letra, alguém estava apaixonado e sendo deixado. Há uns mil anos, não dormia tão bem. Há dois mil, não metia o louco nesse grau. Foi mais intenso que o meu padrão. Inesperadamente e no último momento possível. Suas mensagens aleatórias, meu desaparecimento constante… Por muito tempo, somente uma viagem da minha cabeça. Os 7 meses para ser foram na última noite. Quis ser mais sóbria, sincera e demorada. De uma parte, ando exausta, de outra, passagem comprada - risco de taxas psicológicas. Acontecimentos avisados, mitos irrealizáveis. Nem paixão e nem fuga. Que sensação estranha. Sem coxinha dourada e sem cheiro de laranja. Como explicar o tempo? Sete meses em uma noite. Sem sapato de cristal. Mas, dormi ouvindo a música. Por que tamanha entrega? Jeito, vontade? Escorpião. Que meio termo maravilhoso. Que sensação estranha. Vivência pressentida e nunca levada a sério. Noite sem pressentimentos seriamente vivenciada. Acontecemos. Uma mesma natalidade, dois países. Desculpando-se, sugeriu futuro, sem desculpas, sumi. Mas, vou dormir com a música... e elaborando.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2022
Custo
É claro que iria doer de vez em quando, este é o custo. E é claro que mesmo os regidos pelos sóis mais superadores sofrem em um domingo à noite, vendo Fantástico e comendo estrogonofe sozinhos. Signos de fogo. É, este é o preço. Alguns psicólogos dizem que para quem segue direitinho a receita, 6 meses é o suficiente. A gente levou uma noite só para sentir o que sente. Eu sinto. Sinto que errei também. "Pensamentos, atos e omissões". Mas a verdade é que quando falo em vez ou outra, não estou mentindo e é isso que me assusta. Estou aqui, linda, dirigindo a minha vida sem lembrar de nada, rindo alto como sempre, fazendo piada de tudo. Daí, no farol, do nada, alguém cruza a faixa e parece com você, com seu meu cabelo, com a sua minha roupa favorita, com o seu meu sorriso, com o seu meu café, com o seu meu desafeto. Doem, sangram. Depois somem. A saudade nunca consome a felicidade de um bom ariano, não nego. No entanto, não negaria que ela existe. E quando algum gatilho aparece, tão logo me estranho, porque eu estava aqui dirigindo a minha vida numa boa, numa rua bonita, numa estrada enorme, e, do nada, mil gatilhos atravessam a faixa de pedestres. Esta saudade, picadinha, igual aquele jalapenho que você ama, dói uma vida inteira. Não todo dia, mas sempre com uma intensidade que fulmina e vai embora, do jeitinho que a gente fez.
sábado, 24 de setembro de 2022
Na ZL
Típico ariano, encontrei-te numa festa. Esperado para câncer, fez-te romance. Eu servi vinho na caneca. Ce preparou chá na taça. A junção dos nossos astros se traduziu em noites viradas ao som de Gil. Em segundas veganas sob à luz da Betânia. Praia no frio de São Paulo.
Sempre espero ir, é isso que o ariano faz. Só começa, não termina, vai embora. Voltei. Um, dois, três... finais de semana. Minha intensidade te meteu medo. Sua corajem me deu segurança. Paixão? Acende, pausa. Continua só talvez. O amor é obra - construção. Os amigos me deram um mês. Já são quase três, só não tem nome. Não pelo signo, pelos ritos dos títulos. Sou exigente. Tão diplomada em partir, dessa vez, quero ficar. A primavera chegou, a gente não voltou para casa. Não precisa nomear, precisa ser.
domingo, 17 de julho de 2022
Porteiro
Te vi muitas vezes.
Por que nunca disse?
Cê parecia distante.
Estava viajando.
Morei naquela casa também.
Quer cachaça?
Vai arder?
Áries com aquário.
Vim para isso.
Vou ficar fora.
Vai voltar logo?
Não sei.
Volta.
E o Mar?
E eu?
Não te conheço.
Vim pra te ver.
Vai voltar?
Sempre.
sexta-feira, 15 de julho de 2022
Filtro dos sonhos
Assim como muitas pessoas, não acredito tanto em destino. O que nos diferencia é amar convencê-las do oposto. Na verdade, gosto de ver poesia em tudo, e quando ela não existe, bem... a gente dá uma forçadinha. Outras vezes, o cáos dá uma super força.
Eu tenho um filtro dos sonhos e ele é perfeito. Se ganhei esse acessório por destino ou sorte, não sei. Mas a narrativa é que foi o destino que trouxe esse objeto que, há anos, é-me essecial. Sou uma mulher de muitos sonhos e andanças, sou a dona do substantivo intensidade. Assim como disse Fernando Pessoa "tenho em mim todos os sonhos do mundo". E se os tenho todos, é bom ter um filtro para usar com eles (risos).
Gostaria de me estender e contar os detalhes relativos a esse presente que "a vida me deu", mas esta é uma história antiga e só me recordo de algumas coisas. É o causo de alguém que fez uma amiga por causa de um acidente e, depois, para agradá-la, foi a uma festa na qual estava super desinteressada.
Quase arrastada, fui à tal festa. Aqui, advirto que, na maioria das vezes em que não coloco fé em uma atividade: quando não espero absolutamente nada de uma festa, um passeio, um rolê e, até um encontro, a coisa sempre vira o jogo. A festa estava perfeita! Todavia, por ironia do destido, logo eu, a inimiga do fim, precisava ir embora e, pior, sozinha.
Nesse tempo, a gente chamava táxis. Deixei a minha amiga encaminhada e chamei o meu. Fiquei mexendo no telefone e, quando reparei, do nada, o veículo já estava lá. Chateada por ir embora, mas feliz por estar, supostamente, tomando a decisão correta, apressei-me para entrar. Ao adentrar o carro, qual não foi a minha surpresa: já havia um passageiro. Desculpei-me pelo engano e fui saindo. Para a minha preocupação, o taxista avisou que por causa das condições do tempo, os outros táxis estavam indo embora e eu não ia conseguir debandar tão cedo. Agradeci e disse que esperaria. Para a minha alegria, mesmo sem saber para aonde eu ia, o passageiro oficial me ofereceu uma "carona". Percebendo que o convite era fraterno, aceitei.
No caminho, "como é de são efeito", fomos nos conhecendo. Descobri que ele estudou na mesma escola que as minhas primas, em uma cidade totalmente distante da que estávamos. Também estáva indo estudar na mesma cidade universitária em que uma delas estudou. Foi à festa, porque, de última hora, um amigo do seu quase "ex-laboratório" da pós-graduação o convidou. Sentindo-se deslocado, decidiu ir para casa.
Sem grandes pretensões, trocamos nossos números. Ambos estávamos de mudança: ele dentro dois dias, eu, de dois meses. Para minha surpresa, ele ligou. Para minha maior surpresa, encontramo-nos: um dia antes de ele mudar para outro estado.
Na mesa de um bar que eu detestava, dialogamos por horas. Conversamos como, raramente, conversa-se em semanas. A gente se encontrou de verdade. Quando o estabelecimento fechou, partimos. Cada um para a sua casa. Nada que passamos, em tantos anos naquela cidade, tinha sido tão legal (dissemos).
Viramos as costas e, tornando-nos amigos de redes sociais, perdemos o contato. É justo dizer que a culpa foi principalmente minha e, sobretudo, de uma época difícil da minha vida.
Em alguns meses, procurou pela minha melhor amiga no Instagram, pegou o endereço dela e, sem que eu soubesse, enviou-me o tal filtro dos sonhos de presente.
Hoje, a gente ainda conversa: eu, ele e o filtro. Eles me acompanham por toda parte, quer com os olhos, quer com a mochila.
Depois de anos, brevíssimo, em um terceiro estado, reencontramo-nos. Foi o tempo de uma cerveja.
No último eclipse, aconselhou-me a ir olhar o céu. Na última Super Lua, foi a minha vez de lhe alertar.
Não sei se acredito em destino, mas nestas histórias, sim.
Quem sabe um dia esta terá final? Quem sabe já teve e é bem bonito.
terça-feira, 5 de julho de 2022
Términos
Estava pensando comigo que os términos são sempre difíceis. Aliás, será que são? Da última vez que terminei um relacionamento, não tive tempo para sofrer. Não que não "quisesse", mas a vida estava batendo sonoricamente na minha porta e, de início, não deu para chorar na cama: meu pai estava doente, meu avô estava doente, e, em seguida, também adoeci.
Será que os términos são sempre difíceis? Talvez em parte.
Chorei uma vez. Pesada e sentidamente. Um choro meio filmico, daqueles de assoar o nariz. Com surpresa, tenho carinho por este dia. Sem falar nada, a minha mãe e o meu pai estiveram ali comigo, o que nos aproximou ainda mais. Ela fez um chá e deitou comigo na cama, ele me deu uma valeriana e um abraço. Ninguém pediu para eu para falar nada - melhorei.
Depois destes dias, fiz uma viagem perfeita ao Rio de Janeiro, reencontrei a minha autoestima, senti-me linda, interessante, uma mulher incrível: estou assim até agora (risos).
E aí, a gente recomeça, como aconselha Miguel Torga.
Mudei de casa, de vida, cativei e fui cativada por pessoas incríveis. Em 9 meses, voltei a ser quem eu era: a respirar e a ventilar a vida. Também tornei-me outra pessoa: mais bonita, mais alegre, mais feliz. Não é exagero nenhum dizer que isso tem relação com o contexto que encontrei em minha nova cidade: valorização pessoal e profissional, um céu perfeito e um cinema beeem barato.
Pelas primeiras vezes, tenho sentido saudade. Antes, sentia uma raiva infinita e a sensação de que ela nunca passaria. Hoje, sentir essa saudade me assusta, mas também me cura. Voltar seria um desencontro comigo, não é só inviável, é inrealizável, reconhecer isso é maturidade.
Neste processo, tenho aprendido que a decisão por nós é que não é fácil. Mais difícil que viver um término é ficar sozinho para enxergar seus defeitos de perto, sem precisar do contraste dos outros e, pior, sem poder culpá-los. Isso, sim, é tortura. Mas também é um processo de autocura, autoamor, (re)descoberta.
De fato, não sei responder se os términos são sempre difíceis. Pelo que conversamos, parece que sim, mas são também experenciados de formas diferentes. Alguns, como o meu, ficam em modo de espera e depois viram saudade. Passei quase 5 anos ao lado de uma pessoa e, ao terminar, fui da raiva ao autoamor.
Agora, tenho me ocupado com algo em que sempre acreditei: "o imperioso". Deixo a vida fluir e, curiosa, observo seus movimentos. Não ato e nem desato nós. Só acompanho, dançando, o movimento das cordas. Com intensidade, apaixono-me pelo dia e suas oportunidades, mas sem qualquer "sufoquidão".
Abaixo, a minha adaptadação de Sisífo:
SÍSIFO - Miguel Torga
Recomeça….
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciada,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És mulher, não te esqueças
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…